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Guia TISS: tipos de guia, versão vigente, XML e assinatura digital

O que é a guia TISS, a versão vigente do padrão, os tipos de guia, os campos da guia de consulta, como é o XML e a assinatura, e os erros que geram glosa.

Guia TISS é o documento padronizado pela ANS que a clínica usa para pedir autorização e cobrar da operadora de plano de saúde um atendimento feito a um beneficiário. O Padrão TISS é obrigatório pela RN ANS 501/2022 e, na publicação de setembro de 2026, o Componente de Comunicação (o formato dos arquivos) está na versão 04.03.00. Hoje a guia é, antes de tudo, um arquivo XML: ele vai em lote, pelo portal ou webservice da operadora, assinado com certificado digital ICP-Brasil. A clínica ambulatorial usa principalmente duas guias: a guia de consulta, só para consulta eletiva sem procedimento, e a guia SP/SADT, para exames, terapias, procedimentos e consulta com procedimento.

O que é o Padrão TISS

TISS quer dizer Troca de Informações na Saúde Suplementar. É o padrão que a RN ANS 501/2022 tornou obrigatório para a troca de dados de atendimento entre operadoras, prestadores e ANS. A operadora não pode alterar o padrão, e a troca tem que ser eletrônica.

O padrão tem cinco partes, chamadas componentes. Cada uma tem a sua versão:

ComponenteO que defineVersão na publicação de setembro de 2026
OrganizacionalRegras de uso: quais guias, quando, prazos de implantação202609
Conteúdo e EstruturaOs campos de cada guia e suas legendas202511
Representação de Conceitos em Saúde (TUSS)Os códigos de procedimentos, materiais, medicamentos e mensagens202609
Segurança e PrivacidadeRequisitos de proteção dos dados202511
ComunicaçãoOs arquivos XML (XSD) e os webservices04.03.00

Fonte: página do Padrão TISS de setembro de 2026. A ANS publica versões novas ao longo do ano; confira a página antes de mudar algo no seu sistema.

Como funcionam as versões

  • A versão do Componente de Comunicação tem o formato XX.YY.ZZ. O primeiro bloco muda quando entra uma mensagem nova, o segundo quando uma mensagem existente muda e o terceiro quando se corrige um erro.
  • Em qualquer momento existem no mínimo uma e no máximo duas versões de Comunicação vigentes. Quando há duas, vale a que clínica e operadora combinarem.
  • Pela RN 501/2022, o prazo para implantar uma versão nova fica entre 3 e 12 meses depois do início da vigência.

Tipos de guia

GuiaPara que serve
Guia de consultaCobrar consulta eletiva. Não se vincula a nenhuma outra guia
Guia SP/SADTPedir autorização e cobrar consultas com procedimento, exames, terapias e procedimentos em paciente não internado
Solicitação de internaçãoPedir autorização de internação hospitalar, hospital-dia ou domiciliar
Resumo de internaçãoCobrar a internação
Solicitação de prorrogação de internaçãoPedir mais dias ou novos procedimentos na internação
Guia de honoráriosCobrar honorários pagos direto ao profissional, ligada a uma internação
Guia de tratamento odontológicoPedir autorização e cobrar tratamento odontológico
Anexo de outras despesasDetalhar materiais, medicamentos, taxas, diárias, gases e OPME de uma SP/SADT ou de um resumo de internação
Anexos de OPME, quimioterapia e radioterapiaPedir autorização desses itens
Comprovante presencialComprovar, com assinatura, que o paciente esteve no prestador
Recurso de glosaContestar uma glosa de um lote ou de uma guia

Para a clínica de consultório, a decisão do dia a dia é entre as duas primeiras. Consulta eletiva, sem nenhum procedimento, vai na guia de consulta. Se houve exame, terapia ou procedimento, a cobrança vai na guia SP/SADT, que explicamos campo a campo em Guia SP/SADT. O padrão também permite cobrar consulta na guia SP/SADT, então siga o que o manual de cada operadora pede.

Guia de consulta: os campos, um a um

A legenda oficial está no Componente de Conteúdo e Estrutura. Os números abaixo são os dos campos no formulário; no XML os mesmos dados aparecem com nomes de elemento.

NºCampoTamanhoPreenchimento
1Registro ANS da operadora6Obrigatório
2Número da guia no prestador20Obrigatório. Número que a clínica dá à guia
3Número da guia atribuído pela operadora20Quando a operadora dá outro número à guia
4Número da carteira do beneficiário20Obrigatório
5Validade da carteiradataSó na contingência em papel, em caso específico de autorização
6Atendimento a recém-nato1Obrigatório. "S" quando o atendimento é do recém-nato no plano do responsável, "N" nos demais
7Nome do beneficiário70Obrigatório
26Nome social70Quando o paciente pede
9Código do prestador na operadora14Obrigatório
10Nome do contratado70Obrigatório
11CNES7Obrigatório. Sem CNES, 9999999
12Nome do profissional executante70Quando o contratado é pessoa jurídica
13Conselho profissional2Obrigatório, código da tabela de domínio 26
14Número no conselho15Obrigatório
15UF do conselho2Obrigatório, código da tabela de domínio 59
16CBO6Obrigatório, código da tabela de domínio 24
17Indicação de acidente1Obrigatório, tabela de domínio 36
27Cobertura especial2Opcional, para casos específicos de cobertura
28Regime de atendimento2Obrigatório, tabela de domínio 76
29Saúde ocupacional2Opcional, para atendimentos de saúde ocupacional
18Data do atendimentodataObrigatório
19Tipo de consulta1Obrigatório, tabela de domínio 52
20Tabela2Obrigatório. Para consulta, 22
21Código do procedimento10Obrigatório. Só códigos de consulta eletiva
22Valor do procedimentonuméricoObrigatório. Zero se o contrato não permitir definir antes
23Observação ou justificativa500Opcional
24 e 25Assinaturas do profissional e do beneficiárioNo formulário em papel

O tipo de consulta segue a tabela de domínio 52: primeira consulta, retorno, pré-natal ou por encaminhamento. Há contratos que definem um prazo em que o retorno não é cobrado à parte. Conheça a regra de cada operadora antes de faturar um retorno.

O arquivo XML

Na troca eletrônica, a guia vira um arquivo XML que segue os esquemas (XSD) publicados pela ANS no Componente de Comunicação. Na versão 04.03.00 os principais arquivos são tissV4_03_00.xsd, tissGuiasV4_03_00.xsd, tissComplexTypesV4_03_00.xsd e tissSimpleTypesV4_03_00.xsd. Na prática, a mensagem tem três partes:

  1. Cabeçalho: tipo de transação, número sequencial, data e hora, quem envia (código do prestador), quem recebe (registro ANS da operadora) e a versão do padrão.
  2. Corpo: o lote, com o número do lote e as guias. Cada lote leva no máximo 100 guias, todas do mesmo tipo.
  3. Epílogo: um hash MD5 do conteúdo. O padrão manda calcular o hash só com os valores dos campos, concatenados na ordem, sem as tags, usando a codificação ISO-8859-1. O objetivo é garantir que o dado não foi alterado depois de gravado.

Dois cuidados práticos: o arquivo precisa passar na validação contra o XSD da versão combinada, e qualquer alteração depois de gerado (abrir e salvar num editor, por exemplo) pode mudar o hash.

A assinatura digital

O Componente Organizacional define como a mensagem é assinada:

  • Certificado ICP-Brasil, do tipo e-CNPJ da instituição que transmite. Se o prestador atua como pessoa física, e-CPF.
  • Formato XAdES "enveloped": a assinatura vai dentro do próprio XML e cobre a mensagem inteira.
  • O certificado precisa ser de assinatura (com os usos "Digital Signature" e "NonRepudiation") e de um dos tipos A1, A2, A3 ou A4.
  • A assinatura deve conter o horário em que foi feita e ser validada logo depois de gerada.

Quando a troca é eletrônica e assinada assim, a RN 501/2022 proíbe a operadora de exigir também o papel. As diferenças entre certificado A1 e A3, e entre e-CNPJ e e-CPF, estão em Assinatura digital do médico.

E a guia em papel?

O papel é o plano de contingência: vale quando a troca eletrônica para por algum motivo. Os formulários da contingência são fornecidos pela operadora, e a interrupção da troca eletrônica não pode interromper o atendimento ao paciente. Fora disso, o caminho é o eletrônico.

Erros comuns que geram glosa

  1. Guia errada para o atendimento. Consulta com procedimento cobrada na guia de consulta.
  2. Código fora da tabela 22 na guia de consulta. A guia de consulta aceita apenas códigos de consulta eletiva; exames, terapias, materiais e medicamentos não entram nela.
  3. Dados do profissional diferentes dos da operadora. Conselho, número, UF e CBO têm que bater com o cadastro feito no credenciamento.
  4. CNES em branco ou errado. O padrão manda usar 9999999 apenas quando a clínica ainda não tem CNES.
  5. Lote misturado. Guias de consulta e SP/SADT no mesmo lote.
  6. Versão que a operadora não aceita. Antes de enviar, confirme qual versão de Comunicação ela recebe.
  7. Arquivo alterado depois de assinado. Qualquer mudança invalida assinatura e hash. Gere de novo.

Perguntas frequentes

A operadora pode exigir o CID na guia?

Não. O Componente Organizacional do Padrão TISS veda, por decisão judicial, que a operadora exija o preenchimento do CID nas guias TISS.

Qual a diferença entre TISS e TUSS?

TISS é o padrão inteiro de troca de informações. TUSS é uma das partes dele: a terminologia de códigos. Veja Tabela TUSS.

Preciso mandar a guia assinada pelo paciente?

No formulário em papel, a guia tem campo para assinatura do paciente. Na troca eletrônica, a mensagem é assinada digitalmente pela instituição. Algumas operadoras usam formas próprias de confirmar a presença do paciente; isso precisa estar no contrato e nas regras da ANS.

Quanto tempo depois da consulta posso enviar a guia?

O prazo de apresentação é definido no contrato com cada operadora, não pelo Padrão TISS. Explicamos o ciclo completo em Faturamento de convênios.

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