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Financeiro

Tabela TUSS: o que é, quais são as tabelas e como achar um código

A TUSS é a terminologia da ANS para cobrar convênio. O que cada tabela traz (18, 19, 20, 22, 38), como achar e conferir um código e a diferença para a CBHPM.

A Tabela TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é o conjunto de códigos que a ANS mantém para identificar procedimentos, exames, materiais, medicamentos, diárias, taxas e mensagens trocadas entre clínicas e operadoras de plano de saúde. Ela é uma das cinco partes do Padrão TISS e é obrigatória no faturamento de convênio. Não é uma tabela só: são várias, numeradas, e as que a clínica mais usa são a 22 (procedimentos), a 19 (materiais e OPME), a 20 (medicamentos), a 18 (diárias, taxas e gases medicinais) e a 38 (motivos de glosa). A TUSS diz qual é o código; ela não diz quanto custa nem se o plano cobre. Preço vem do contrato com a operadora, e cobertura vem do Rol da ANS.

Quem mantém e onde fica

Pela RN ANS 501/2022, compete à ANS estabelecer a TUSS e suas atualizações. Ela é o "Componente de Representação de Conceitos em Saúde" do Padrão TISS e sai em versões identificadas por ano e mês. Na publicação de setembro de 2026 do padrão, a TUSS está na versão 202609.

A ANS publica os códigos de três formas, na página Códigos da TUSS:

  • consulta online, numa plataforma de terminologias (OCL) com busca por tabela;
  • planilha Excel da versão mais recente;
  • arquivos JSON e CSV, além de uma API para sistemas.

As tabelas que a clínica usa

TabelaO que trazOrigem dos termosEm que guias aparece
22Procedimentos e eventos em saúde: consultas, exames, terapias, cirurgiasCBHPM (procedimentos médicos), CBHPO (odontologia) e ANS para outros profissionaisEm todas as guias, menos no anexo de OPME
19Materiais e OPME (órteses, próteses e materiais especiais)Base de produtos para a saúde da ANVISASP/SADT e internação, pelos anexos; nunca na guia de consulta
20MedicamentosBase da ANVISA (CMED)SP/SADT e internação, pelos anexos; nunca na guia de consulta
18Diárias, taxas e gases medicinaisDiscussões do comitê da ANS, com a CNSaúde como entidade de referênciaSP/SADT e internação, pelos anexos; nunca na guia de consulta
38Mensagens: glosas, negativas e outrasComitê de padronização da ANS (COPISS)Nas respostas da operadora: demonstrativos, negativas, recursos
63 e 64Grupos e forma de envio de itens para a ANSANSNo envio de dados das operadoras para a ANS

Segundo a página da ANS, a tabela 22 tem mais de 5,9 mil procedimentos e a tabela 19 passa de 1,3 milhão de registros. É por isso que ninguém "decora" a TUSS: você busca o código cada vez, ou deixa os mais usados cadastrados no sistema.

Além delas, existem as tabelas de domínio, que dão os códigos dos campos das guias: tipo de consulta, caráter do atendimento, conselho profissional, CBO, regime de atendimento e assim por diante. A tabela 87 é a "tabela de tabelas", que lista os códigos de cada terminologia usados no campo "Tabela" da guia.

Tabelas próprias da operadora

Quando um item não existe na TUSS, a operadora pode criar um código próprio, mas tem que pedir a inclusão dele à ANS na sequência. Esses códigos usam números de tabela reservados:

Código da tabelaUso
00Tabela própria da operadora
90Tabela própria para pacotes de odontologia
98Tabela própria para pacotes

Pela RN 501/2022 (art. 13), a operadora não pode manter código próprio para um termo que já existe na TUSS depois que vence o prazo de implantação desse termo. Se o seu contrato manda cobrar um item com código próprio e esse item já tem código TUSS, vale perguntar à operadora.

Como achar um código, passo a passo

  1. Comece pelo nome, não pelo número. Busque pelo termo ("consulta em consultório", "eletrocardiograma") na consulta online da ANS ou na planilha.
  2. Confirme a tabela. Procedimento fica na 22, material e OPME na 19, medicamento na 20, diária e taxa na 18. A guia pede o número da tabela junto com o código.
  3. Leia a descrição inteira. Muitos procedimentos têm variações (unilateral, bilateral, com ou sem contraste). O código certo é o da descrição que corresponde ao que foi feito.
  4. Confira a vigência. Cada termo tem data de início de vigência, data de fim de vigência e data limite de implantação. Termo com fim de vigência já passado não serve para atendimentos depois dessa data.
  5. Confira no contrato. O código precisa estar na tabela de preços que você negociou com aquela operadora. Código certo, mas fora do contrato, também é glosado.
  6. Cadastre no sistema. Associe o código ao procedimento da clínica, para que a recepção não precise buscar de novo.

Regras de vigência que protegem a clínica

O Componente Organizacional do Padrão TISS traz três regras que valem conhecer:

  • Código novo entra com antecedência. Um termo incluído começa a valer no primeiro dia do mês seguinte à publicação, e a data limite de implantação é de no mínimo três meses depois.
  • Mudou a descrição, muda o código. Quando a descrição de um procedimento é alterada, o código antigo é inativado e nasce um código novo. Por isso, códigos "que sempre funcionaram" podem parar de funcionar.
  • Vale a data do atendimento. O termo tem que estar vigente na data em que o paciente foi atendido. Nenhuma das partes pode recusar o código porque ele foi encerrado depois, entre o atendimento e o envio da cobrança.

TUSS, CBHPM e Rol: qual a diferença

TUSSCBHPMRol da ANS
O que éTerminologia de códigosClassificação hierarquizada de procedimentos médicos com referência de valorLista de cobertura obrigatória dos planos
Quem editaANSAssociação Médica Brasileira (AMB)ANS
Tem preço?NãoSim, em portes e custo operacionalNão
Para que serve na clínicaEscrever a guiaNegociar e calcular valores, quando o contrato usa a CBHPMSaber se o plano é obrigado a cobrir

A tabela 22 da TUSS usa a CBHPM como base para os procedimentos médicos, e todo procedimento do Rol está na tabela 22. O contrário não vale: a tabela 22 também tem procedimentos fora do Rol, praticados entre operadoras e prestadores. A CBHPM está explicada em Tabela CBHPM: portes, UCO e como os convênios usam.

Erros comuns com a TUSS

  1. Usar código encerrado. A planilha antiga salva no computador da recepção é a causa clássica. Baixe a versão nova quando a ANS publicar.
  2. Pôr material ou medicamento na guia de consulta. As tabelas 18, 19 e 20 não são aceitas na guia de consulta. Quando há material ou medicamento, a cobrança vai na guia SP/SADT, pelo anexo de outras despesas.
  3. Código parecido, não igual. Procedimento unilateral cobrado como bilateral, ou o contrário, é glosa certa.
  4. Confundir código com preço. Ter o código TUSS não significa que a operadora paga aquele item. O preço e a lista de itens cobertos vêm do contrato.
  5. Pedir o código ao paciente. A ANS diz expressamente que o estabelecimento de saúde não pode exigir que o beneficiário informe o código TUSS.

Perguntas frequentes

A TUSS é obrigatória para clínica pequena?

Sim, para quem fatura convênio. O Padrão TISS, do qual a TUSS faz parte, é obrigatório na troca de informações entre operadoras e prestadores, pela RN 501/2022.

De quanto em quanto tempo a TUSS muda?

A ANS publica versões ao longo do ano, identificadas por ano e mês (por exemplo, 202609). Não há um calendário fixo que possamos garantir; acompanhe a página do Padrão TISS na ANS.

O código TUSS de um procedimento é o mesmo em todos os convênios?

O código é o mesmo, porque a terminologia é única. O que muda de um convênio para outro é o preço e se aquele item está no contrato.

Onde encontro os motivos de glosa?

Na tabela 38, de mensagens. O código que aparece no demonstrativo de análise de conta é dessa tabela. Veja como usar isso no recurso em Glosa médica.

Particular também precisa de código TUSS?

Não há exigência de TUSS para atendimento particular. Mas usar o mesmo cadastro de procedimentos com código TUSS para particular e convênio evita duplicidade e facilita relatórios.

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