Tabela CBHPM: o que é, portes, UCO e como os convênios usam
A CBHPM é a classificação de procedimentos médicos da AMB. Edição vigente, portes, UCO, como se chega ao valor, o que é CH e a diferença para a TUSS.
A CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) é a tabela da Associação Médica Brasileira (AMB) que lista os procedimentos médicos, ordena cada um pela complexidade e dá a ele uma referência de valor: um porte para o trabalho médico, um custo operacional medido em UCO e, quando cabe, porte anestésico, número de auxiliares e filme. A última edição completa é a referente a 2022, segundo a página da CBHPM na AMB, e ela recebe correções e inclusões por resoluções normativas da Comissão Nacional de Honorários Médicos (a mais recente listada é a 071/2026). A CBHPM não é obrigatória para as operadoras: o convênio paga pelo que está no contrato, que pode usar a CBHPM de uma edição específica, uma tabela AMB antiga em CH ou uma tabela própria.
Quem faz e como é atualizada
A CBHPM é editada pela AMB, com participação das sociedades de especialidade. A Câmara Técnica Permanente da CBHPM analisa pedidos de inclusão e alteração, e as mudanças saem como resoluções normativas da CNHM (Comissão Nacional de Honorários Médicos). Correções de erros nessas resoluções saem como comunicados oficiais AMB/CNHM. Tudo isso fica publicado na página da CBHPM no site da AMB, onde também está o caminho para adquirir a tabela.
Na prática, isso significa que "a CBHPM 2022" de hoje não é exatamente o livro de 2022: é a edição mais as resoluções publicadas depois. Ao negociar, combine com a operadora qual edição e quais resoluções valem.
Como ler um item da CBHPM
Os comunicados da AMB de 2026 mostram o formato real dos itens. Um procedimento tem:
| Elemento | Exemplo real (comunicados AMB/CNHM 2026) | O que significa |
|---|---|---|
| Código | 4.03.25.06-7 | Grupo, subgrupo e procedimento, com dígito verificador |
| Descrição | Teste para detecção de carbapenemase por TLR/POCT | O procedimento |
| Porte | 4B, 8C, 13C ou "0,1 de 1A" | Valor do trabalho médico, por complexidade |
| Custo operacional | 3,600 UCO; 32,110 | Custo de equipamentos, materiais e estrutura, em Unidades de Custo Operacional |
| Porte anestésico | 2, 5, 7 | Complexidade da anestesia, quando há |
| Auxiliares | Auxiliar 2 | Número de auxiliares previstos |
| Filme | "Sem filme" | Quantidade de filme radiológico, nos procedimentos de imagem |
O porte é identificado por número e letra: quanto maior o número e a letra, mais complexo o procedimento. Procedimentos simples podem ter uma fração de porte, como "0,1 de 1A". Cada porte tem um valor em reais, definido na edição ou na negociação com a operadora.
A UCO (Unidade de Custo Operacional) é a unidade em que a CBHPM expressa o custo operacional. O procedimento diz quantas UCO consome; o valor de cada UCO em reais vem da edição usada ou do contrato.
Como se chega ao valor: exemplo ilustrativo
O valor de um procedimento pela CBHPM soma as partes que ele tem:
Valor = valor do porte + (quantidade de UCO × valor da UCO) + filme, quando houver
Exemplo ilustrativo, com valores inventados só para mostrar a conta:
| Parte | Quantidade | Valor unitário combinado | Subtotal |
|---|---|---|---|
| Porte 2B | 1 | R$ 100,00 | R$ 100,00 |
| Custo operacional | 3,6 UCO | R$ 20,00 por UCO | R$ 72,00 |
| Total | R$ 172,00 |
Se o contrato fala em "CBHPM com redutor de 20%", o total vira R$ 137,60. Se fala em "CBHPM plena", vale o valor cheio da edição combinada. Os números da sua clínica vêm da edição e do contrato, não deste exemplo.
E o CH?
CH (coeficiente de honorários) é a unidade das antigas tabelas de honorários da AMB, como a AMB/92 e a AMB 96/99, anteriores à CBHPM. Nelas, cada procedimento vale um número de CH, e o contrato define quanto vale um CH em reais. O valor do procedimento é a quantidade de CH multiplicada pelo valor do CH.
O CH não ficou no passado. O balanço de negociações da Associação Paulista de Medicina, de 2016 a 2025, mostra operadoras que pagam pela tabela AMB/92 em CH convivendo com outras que usam a CBHPM nas edições de 2009, 2010, 2012 ou 2022, às vezes com acréscimo ou redutor. Por isso a mesma consulta pode valer quantias bem diferentes de um convênio para outro.
A CBHPM é obrigatória?
Não para as operadoras. A Resolução CFM 1.673/2003 tinha adotado a CBHPM como "padrão mínimo e ético de remuneração", mas foi revogada pela Resolução CFM 2.293/2021. A AMB continua apresentando a CBHPM como referência mínima de remuneração, mas o que vincula clínica e operadora é o contrato escrito.
CBHPM e TUSS: qual a diferença
| CBHPM | TUSS | |
|---|---|---|
| Quem edita | AMB | ANS |
| O que é | Classificação hierarquizada com referência de valor | Terminologia de códigos para troca de informações |
| Tem preço? | Sim: porte, UCO, filme | Não |
| Formato do código | Com pontos e dígito: 4.03.25.06-7 | Oito dígitos, como 10101012 |
| Onde aparece | Na tabela de preços do contrato | Nas guias TISS |
| Obrigatória? | Não, depende do contrato | Sim, no faturamento de convênio |
As duas se conversam: segundo o Componente Organizacional do Padrão TISS, a tabela 22 da TUSS usa a CBHPM como base para os procedimentos médicos. Na guia, você escreve o código TUSS; no contrato, o preço pode estar referenciado à CBHPM. Mais sobre a TUSS em Tabela TUSS.
Erros comuns
- Não saber qual edição o contrato usa. "Tabela CBHPM" sozinho não define preço. Peça a edição por escrito.
- Aplicar o redutor no lugar errado. Redutor sobre o porte é diferente de redutor sobre o total.
- Usar o código da CBHPM na guia. A guia TISS pede o código TUSS e o número da tabela (22 para procedimentos).
- Ignorar as resoluções posteriores. Procedimento incluído ou corrigido depois da edição pode ter porte diferente do que está no livro.
- Comparar convênios só pelo valor da consulta. O mesmo convênio pode pagar bem a consulta e mal os procedimentos, ou o contrário. Compare a tabela inteira que você mais usa.
Perguntas frequentes
Onde consigo a tabela CBHPM?
A CBHPM é uma publicação da AMB, e a página da CBHPM no site da associação indica como adquirir. As resoluções e comunicados de atualização ficam publicados na mesma página.
Qual a edição vigente da CBHPM?
Segundo a AMB, a última edição é a referente a 2022, atualizada depois por resoluções normativas da CNHM. Para o seu faturamento, a edição que vale é a do contrato com cada operadora.
Particular precisa seguir a CBHPM?
Não. O preço particular é decisão da clínica. A CBHPM pode servir de referência, mas a conta que importa é a do custo e da margem da clínica, que mostramos em Gestão financeira de clínica.
Como sei quanto vale o porte e a UCO no meu convênio?
Pela tabela anexa ao contrato ou pelo manual do prestador da operadora. Se o contrato diz apenas "CBHPM", pergunte qual edição e se há redutor.