Sistema para clínica de estética: ficha, termo, fotos e LGPD
O que a clínica de estética precisa de um sistema: ficha de avaliação, termo de consentimento, fotos de antes e depois com LGPD, pacotes e checklist.
Um sistema para clínica de estética precisa de quatro coisas que o software genérico de consultório costuma não ter bem resolvidas: ficha de avaliação por tipo de procedimento, termo de consentimento guardado junto ao registro do paciente, fotos de antes e depois organizadas por sessão e protegidas como dado de saúde, e controle de pacotes de sessões. Por baixo de tudo isso está uma regra que muita clínica esquece: o registro do atendimento segue a regra do conselho de quem atende, seja médico, dentista, fisioterapeuta, enfermeiro, farmacêutico ou biomédico. Abaixo estão o que cada parte exige, um checklist, perguntas para a demonstração e o que o Elim cobre e não cobre.
Quem atende define as regras do registro
A clínica de estética reúne profissionais de conselhos diferentes, e cada conselho tem regra própria sobre prontuário, guarda e publicidade. Alguns exemplos já conferidos:
| Profissional | Regra de prontuário |
|---|---|
| Fisioterapeuta | Resolução COFFITO 414/2012: registro obrigatório, guarda mínima de 5 anos |
| Dentista | Código de Ética Odontológica e Resolução CFO 91/2009: eliminar o papel exige assinatura ICP-Brasil |
| Nutricionista | Resolução CFN 594/2017: guarda de 20 anos ou permanente no eletrônico |
Para médicos, as regras de prontuário estão explicadas em prontuário eletrônico.
Uma questão que o sistema não resolve: quem pode fazer qual procedimento. Cada conselho regula a atuação estética dos seus profissionais. O Cofen, por exemplo, trata do enfermeiro na estética na Resolução Cofen 529/2016, alterada pelas Resoluções Cofen 626/2020 e 715/2023. Algumas normas de outros conselhos sobre o tema foram contestadas na Justiça. Antes de montar a equipe e a lista de procedimentos, confirme com o conselho regional de cada profissional o que ele pode fazer. Nenhum software substitui essa consulta.
Ficha de avaliação
A ficha de avaliação, ou anamnese estética, é o primeiro registro do paciente. Ela serve para indicar o procedimento certo e para identificar contraindicações. Uma ficha boa pergunta, no mínimo:
- queixa principal e expectativa do paciente;
- procedimentos estéticos anteriores, com data e resultado;
- doenças que mudam a conduta, como diabetes, doença autoimune, alteração de tireoide e imunodepressão;
- gestação e amamentação;
- medicamentos em uso, incluindo isotretinoína, ácidos e anticoagulantes;
- alergias a medicamentos, cosméticos, anestésicos, látex e metais;
- exposição solar e uso de protetor;
- tendência a queloide e histórico de manchas;
- produtos de uso diário na pele.
Cada tipo de procedimento costuma pedir perguntas extras. O sistema precisa deixar a clínica criar fichas próprias, sem depender do fornecedor. Para estrutura e exemplos, veja anamnese.
Termo de consentimento
O termo de consentimento é o registro de que o paciente foi informado do procedimento, dos riscos, dos cuidados, das alternativas e do custo, e concordou. No Código de Ética Odontológica, por exemplo, iniciar tratamento sem consentimento prévio é infração (art. 11, X), e deixar de esclarecer riscos, custos e alternativas também (art. 11, IV). Os demais conselhos têm deveres parecidos de informação.
O que o sistema precisa fazer com o termo:
- guardar o termo assinado junto ao registro do paciente, com data;
- deixar claro a qual procedimento e a qual sessão ele se refere;
- permitir modelos por procedimento.
Fotos de antes e depois e a LGPD
A foto faz parte da documentação clínica em estética: mostra o estado inicial e a evolução. Ao mesmo tempo, é o dado mais sensível que a clínica guarda.
Foto clínica é dado de saúde
Pela LGPD, dado referente à saúde é dado pessoal sensível (art. 5º, II). Uma foto tirada para acompanhar um tratamento é registro clínico. Para o uso clínico, a lei permite o tratamento para tutela da saúde em procedimento feito por profissionais de saúde (art. 11, II, f).
Isso tem consequências práticas:
- Nada de foto no celular pessoal. Foto de paciente no rolo da câmera do profissional, sincronizada com a nuvem pessoal e enviada por aplicativo de mensagem, é o caminho mais comum de vazamento.
- A foto mora no sistema, junto ao registro do paciente, com acesso controlado e registro de quem viu.
- O paciente tem direitos sobre ela, como acesso e cópia.
Sobre bases legais, direitos do titular e o que fazer num incidente, veja LGPD na saúde.
Usar a foto em divulgação é outra finalidade
Postar o antes e depois no Instagram não é tutela da saúde. Para essa finalidade, a base costuma ser o consentimento específico e destacado do paciente (art. 11, I), separado do termo do procedimento. E cada conselho tem regra própria de publicidade:
- Médicos: a Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, passou a permitir antes e depois com finalidade informativa, autorização do paciente e preservação da privacidade, conforme explica o CREMERS.
- Dentistas: a Resolução CFO 196/2019 autoriza divulgar imagens de diagnóstico e de resultado final, com autorização prévia do paciente por termo de consentimento livre e esclarecido.
Os demais profissionais seguem as regras dos seus conselhos. Para o que pode e o que não pode na divulgação, veja marketing médico.
Pacotes, sessões e retorno
Boa parte do faturamento de estética vem de pacotes: cinco sessões de um procedimento, um protocolo de três meses. O sistema precisa:
- registrar o pacote vendido e o valor;
- abater cada sessão realizada e mostrar o saldo;
- avisar quando o pacote está acabando, para a equipe oferecer continuidade;
- lidar com falta: a sessão não comparecida conta ou não, conforme a política da clínica.
Lembretes e confirmação pelo WhatsApp ajudam a reduzir faltas, e falta em pacote é dinheiro já recebido com horário perdido.
Checklist para avaliar um sistema de estética
Registro clínico
- Ficha de avaliação editável, com modelos por procedimento
- Registro por sessão, com data, autor e conselho de quem atendeu
- Registro que não pode ser alterado depois de concluído
- Alergias e contraindicações em destaque
Termo e fotos
- Termo de consentimento por procedimento, guardado no registro do paciente
- Fotos guardadas no sistema, por sessão, com comparação lado a lado
- Controle de quem vê as fotos e registro de acesso
- Autorização de uso de imagem separada do termo do procedimento
Pacotes e financeiro
- Venda de pacote com saldo de sessões
- Recebimentos, parcelamento e comissão por profissional
Agenda
- Agenda por profissional e por sala ou equipamento, se você divide
- Lembretes e confirmação pelo WhatsApp
Dados
- Exportação dos dados do paciente, fotos incluídas
- Resposta clara sobre onde ficam os servidores
Perguntas para fazer na demonstração
- "Me mostre as fotos de um paciente lado a lado, da primeira à última sessão."
- "Onde fica o termo assinado deste procedimento?"
- "Vendi um pacote de cinco sessões. Onde vejo quantas faltam?"
- "Quem da minha equipe consegue ver as fotos, e eu sei quem viu?"
- "Se eu sair, levo as fotos junto, em que formato?"
- "Em que país ficam os servidores?"
Para o roteiro geral, veja como escolher um sistema para clínica.
O que o Elim cobre e o que não cobre
Ele não tem recursos específicos de estética, e é importante dizer isso antes de qualquer coisa.
O que não cobre
- Pacotes de sessões. O Elim não controla saldo de sessões compradas.
- Galeria de fotos de antes e depois com comparação lado a lado não existe. Fotos podem ser guardadas como anexo do paciente, mas sem organização própria por sessão.
- Termo de consentimento gerado pelo sistema não existe. O termo assinado pode ser anexado ao prontuário.
- Recurso específico de estética, como mapa facial ou registro de pontos de aplicação, não existe.
- Agendamento recorrente não existe.
- Assinatura ICP-Brasil do profissional não existe. "Assinar" o atendimento trava o registro e grava quem assinou e quando, mas não é assinatura digital com validade jurídica.
- Dados no exterior: os servidores do Elim ficam nos Estados Unidos, com cópias de segurança cifradas.
O que cobre
- Anamnese de dermatologia pronta, completa, rápida e de retorno, que serve de base para a ficha de avaliação. A completa pergunta queixa principal, tratamentos e procedimentos estéticos anteriores, doença autoimune, tireoide, imunodepressão, gestação e amamentação, medicamentos e produtos de uso diário na pele, alergia a medicamentos tópicos, cosméticos, metais e látex, exposição solar, uso de protetor e FPS, queimadura solar e histórico familiar de câncer de pele, psoríase, vitiligo e dermatite atópica. A rápida inclui uso de isotretinoína ou ácidos. Dá para editar ou criar fichas por procedimento.
- Prontuário com evoluções que não podem ser alteradas, alergias com gravidade, anexos e registro de auditoria de quem acessou.
- Permissões por papel e ajustáveis por pessoa.
- Lembretes pelo WhatsApp (API oficial da Meta) com botões Confirmar, Reagendar e Cancelar, e respeito ao paciente que pede para não receber mensagens.
- Financeiro com recebimentos, desconto, parcelamento, orçamentos e comissão por profissional (percentual, por procedimento ou valor fixo).
- LGPD: exportação dos dados do paciente, anonimização e retenção por prazos.
Para quem o Elim serve bem
Para a clínica de estética que vende pacotes e trabalha com fotos comparativas no dia a dia, o Elim não é a escolha certa hoje. Ele pode servir a uma clínica dermatológica ou multiprofissional em que a estética é uma parte do atendimento e o que mais pesa é agenda, confirmação pelo WhatsApp, prontuário com auditoria e comissão.
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